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Você está em: Da Pesquisa à Inovação

 
 
 
Dra. Lucia Vivan
Pesquisadora na Fundação de Apoio a Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso
 
 
2016-03-08
Avanços e desafios para o manejo integrado de lagartas na cultura da soja no estado do Mato Grosso
 
 

O MIP é caracterizado pelo uso de diversas técnicas que são empregadas, harmonicamente, visando solucionar um problema específico. O uso eficiente destas ferramentas é dependente de um profundo conhecimento da bioecologia das pragas e da apropriada integração de boas práticas agrícolas. Consequentemente, um programa simples de manejo envolve o uso de plantas resistentes, o manejo do solo, a rotação/sucessão adequada de culturas, as medidas sanitárias, o controle biológico, o controle microbiano e a utilização de pesticidas que tenham qualidades para o MIP. Além disso, a rotação de culturas e a manipulação da época de semeadura têm sido recomendadas principalmente para insetos de ciclo longo.

Algumas medidas devem ser adotadas para o controle eficiente das pragas na cultura da soja:

1. amostre regular e sistematicamente a cultura da soja para identificar e quantificar as pragas e seus inimigos naturais;

2. adote as medidas diretas de controle somente onde as pragas estiverem em condições que ameacem a rentabilidade, através do nível de dano econômico;

3. quando o controle for necessário, aplique somente a dosagem recomendada de pesticida, usando um equipamento corretamente calibrado;

4. antes de aplicar qualquer produto, considere os riscos de intensificação de pragas secundárias, resistência a inseticidas e condições de segurança; 

5. aplique produtos mais seletivos no início do ciclo da cultura, pois nessa fase as populações de inimigos naturais estão se estabelecendo na área.

O primeiro passo do manejo integrado de pragas é identificar a espécie do inseto que apresenta população presente, e qual a quantidade dessa população no campo, saber se essa está dentro do nível de dano para o estágio de desenvolvimento que a cultura está. É possível ter essas informações por meio do monitoramento das áreas. Basicamente, a frequência e a intensidade de aparecimento de determinada praga estão relacionadas com a sua distribuição geográfica, as condições ambientais, o desenvolvimento da cultura e as práticas culturais adotadas.

O monitoramento deve ser realizado semanalmente em pontos do talhão. É recomendado, a cada 100 hectares realizar as amostragens com o pano de batida em 10 pontos bem distribuídos. Um caso clássico desse problema acontece com as pragas gregárias, aquelas que se concentram em um ponto do talhão. Quando identifica essa praga, o produtor age normalmente e tende a liberar a aplicação de inseticidas por achar que ela está presente em toda a área de cultivo quando, na verdade, não. Também pode acontecer de ela estar em um ponto que ele não vê. Por isso, é importante abranger ao máximo o talhão e fazer uma amostra “bem feita” para identificar quais e quantos insetos há na lavoura. Nessa safra observou-se a Spodoptera sp. com esse comportamento, onde foi importante ter o monitoramento, constante, da área para se ter o melhor momento de controle e, a real necessidade.

 

Para fazer uma amostragem bem-feita, o ideal é que o pano de batida seja branco e tenha 1 metro de largura por 1,40 de comprimento. Deve-se utilizar uma linha de plantio para essa amostragem. Assim, o monitoramento da lavoura, a identificação correta das pragas e dos inimigos naturais, o conhecimento do estádio de desenvolvimento da planta e dos níveis de ação serão levados em consideração e, se terá condições de optar pelo melhor controle.

Outra opção que se tem hoje são os feromônios, que ajudam a dar uma ideia de como está a infestação de mariposas na área. São substâncias químicas utilizadas na comunicação em geral são denominadas semioquímicos, o que significa sinais químicos. Os feromônios são de ação intra-específica, podendo agir na fisiologia e desenvolvimento dos indivíduos e no comportamento dos mesmos. Em um programa de monitoramento pode refletir as mudanças na densidade populacional e a provável época de emergência de insetos adultos, podendo-se assim, estimar o local e época em que a atividade dos insetos será máxima, o que é fundamental para táticas de manejo. Como as armadilhas capturam insetos mesmo em baixas densidades populacionais, servem também para prever a incidência de uma dada praga na área de interesse.  São úteis para definição das áreas de infestação. Hoje, no Mato Grosso há várias áreas com instalação de armadilhas luminosas ou com feromônios para a detecção dos focos inicias ou mesmo para o acompanhamento do aumento da população de mariposas.

 

Nos últimos 10 anos a lagarta falsa-medideira, Chrysodeixis includens, é a praga que mais tem dado trabalho aos produtores de soja do Mato Grosso.  Isso ocorre devido ao seu hábito de permanecer na parte inferior das plantas, onde na maioria das vezes ela não é detectada no início da infestação, normalmente quando a cultura ainda está em uma fase de “não fechamento das linhas”, onde seu controle seria facilitado. Com a detecção mais tardia tem-se a dificuldade de atingir essa praga, pois a cultura está com as “ruas” fechadas. Esse momento pode dificultar o controle das lagartas pequenas, ocasionando a sobra de lagartas que continuará a manter essa população, em alguns casos, permanentemente nas áreas. O ataque de lagarta falsa-medideira causa desfolhas e ataque em flores, gerando abortamento de flores e consequentemente perdas de produtividade.

Hoje temos produtos à base Bacillus (Bt) que controlam bem lagartas. Temos fungos para esse fim também e temos vírus que, por enquanto, são mais específicos para a helicoverpa. Já as vespas do gênero Trichogramma spp, por exemplo, parasitam os ovos da Helicoverpa armigera, Chrysodeixis includens evitando que a larva da lagarta se desenvolva e, podem ser liberadas nas áreas no momento que se identifica presença de ovos dessas mariposas.

O desafio para a utilização do controle biológico, tanto com parasitoides e entomopatógenos é a detecção da presença da praga no momento adequado para o controle ter sucesso. No entanto, já temos resultados promissores em áreas com acompanhamento e liberação do parasitoide Trichogramma mantendo a população em níveis inferiores às de áreas com aplicações de inseticidas. Esse fato, indica que a liberação de parasitoides auxiliou na manutenção da população em níveis inferiores quando comparada com a população presente na área de manejo convencional com inseticidas.

O manejo integrado de pragas é uma tecnologia de processo e, portanto, sem custos aos produtores, pois está embasada na integração e otimização das táticas de controle de pragas, e fundamentada na amostragem e monitoramento das lavouras, com diferentes ferramentas que darão subsídios para a tomada de decisão.

 
 
 
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Avanços e desafios para o manejo integrado de lagartas na cultura da soja no estado do Mato Grosso
2016-03-08

O MIP é caracterizado pelo uso de diversas técnicas que são empregadas, harmonicamente, visando solucionar um problema específico. O uso eficiente destas ferramentas é dependente de um profundo conhecimento da bioecologia das pragas e da apropriada integração de boas práticas agrícolas. Consequentemente, um programa simples de manejo envolve o uso de plantas resistentes, o manejo do solo, a rotação/sucessão adequada de culturas, as medidas sanitárias, o controle biológico, o controle microbiano e a utilização de pesticidas que tenham qualidades para o MIP. Além disso, a rotação de culturas e a manipulação da época de semeadura têm sido recomendadas principalmente para insetos de ciclo longo.

Algumas medidas devem ser adotadas para o controle eficiente das pragas na cultura da soja:

1. amostre regular e sistematicamente a cultura da soja para identificar e quantificar as pragas e seus inimigos naturais;

2. adote as medidas diretas de controle somente onde as pragas estiverem em condições que ameacem a rentabilidade, através do nível de dano econômico;

3. quando o controle for necessário, aplique somente a dosagem recomendada de pesticida, usando um equipamento corretamente calibrado;

4. antes de aplicar qualquer produto, considere os riscos de intensificação de pragas secundárias, resistência a inseticidas e condições de segurança; 

5. aplique produtos mais seletivos no início do ciclo da cultura, pois nessa fase as populações de inimigos naturais estão se estabelecendo na área.

O primeiro passo do manejo integrado de pragas é identificar a espécie do inseto que apresenta população presente, e qual a quantidade dessa população no campo, saber se essa está dentro do nível de dano para o estágio de desenvolvimento que a cultura está. É possível ter essas informações por meio do monitoramento das áreas. Basicamente, a frequência e a intensidade de aparecimento de determinada praga estão relacionadas com a sua distribuição geográfica, as condições ambientais, o desenvolvimento da cultura e as práticas culturais adotadas.

O monitoramento deve ser realizado semanalmente em pontos do talhão. É recomendado, a cada 100 hectares realizar as amostragens com o pano de batida em 10 pontos bem distribuídos. Um caso clássico desse problema acontece com as pragas gregárias, aquelas que se concentram em um ponto do talhão. Quando identifica essa praga, o produtor age normalmente e tende a liberar a aplicação de inseticidas por achar que ela está presente em toda a área de cultivo quando, na verdade, não. Também pode acontecer de ela estar em um ponto que ele não vê. Por isso, é importante abranger ao máximo o talhão e fazer uma amostra “bem feita” para identificar quais e quantos insetos há na lavoura. Nessa safra observou-se a Spodoptera sp. com esse comportamento, onde foi importante ter o monitoramento, constante, da área para se ter o melhor momento de controle e, a real necessidade.

 

Para fazer uma amostragem bem-feita, o ideal é que o pano de batida seja branco e tenha 1 metro de largura por 1,40 de comprimento. Deve-se utilizar uma linha de plantio para essa amostragem. Assim, o monitoramento da lavoura, a identificação correta das pragas e dos inimigos naturais, o conhecimento do estádio de desenvolvimento da planta e dos níveis de ação serão levados em consideração e, se terá condições de optar pelo melhor controle.

Outra opção que se tem hoje são os feromônios, que ajudam a dar uma ideia de como está a infestação de mariposas na área. São substâncias químicas utilizadas na comunicação em geral são denominadas semioquímicos, o que significa sinais químicos. Os feromônios são de ação intra-específica, podendo agir na fisiologia e desenvolvimento dos indivíduos e no comportamento dos mesmos. Em um programa de monitoramento pode refletir as mudanças na densidade populacional e a provável época de emergência de insetos adultos, podendo-se assim, estimar o local e época em que a atividade dos insetos será máxima, o que é fundamental para táticas de manejo. Como as armadilhas capturam insetos mesmo em baixas densidades populacionais, servem também para prever a incidência de uma dada praga na área de interesse.  São úteis para definição das áreas de infestação. Hoje, no Mato Grosso há várias áreas com instalação de armadilhas luminosas ou com feromônios para a detecção dos focos inicias ou mesmo para o acompanhamento do aumento da população de mariposas.

 

Nos últimos 10 anos a lagarta falsa-medideira, Chrysodeixis includens, é a praga que mais tem dado trabalho aos produtores de soja do Mato Grosso.  Isso ocorre devido ao seu hábito de permanecer na parte inferior das plantas, onde na maioria das vezes ela não é detectada no início da infestação, normalmente quando a cultura ainda está em uma fase de “não fechamento das linhas”, onde seu controle seria facilitado. Com a detecção mais tardia tem-se a dificuldade de atingir essa praga, pois a cultura está com as “ruas” fechadas. Esse momento pode dificultar o controle das lagartas pequenas, ocasionando a sobra de lagartas que continuará a manter essa população, em alguns casos, permanentemente nas áreas. O ataque de lagarta falsa-medideira causa desfolhas e ataque em flores, gerando abortamento de flores e consequentemente perdas de produtividade.

Hoje temos produtos à base Bacillus (Bt) que controlam bem lagartas. Temos fungos para esse fim também e temos vírus que, por enquanto, são mais específicos para a helicoverpa. Já as vespas do gênero Trichogramma spp, por exemplo, parasitam os ovos da Helicoverpa armigera, Chrysodeixis includens evitando que a larva da lagarta se desenvolva e, podem ser liberadas nas áreas no momento que se identifica presença de ovos dessas mariposas.

O desafio para a utilização do controle biológico, tanto com parasitoides e entomopatógenos é a detecção da presença da praga no momento adequado para o controle ter sucesso. No entanto, já temos resultados promissores em áreas com acompanhamento e liberação do parasitoide Trichogramma mantendo a população em níveis inferiores às de áreas com aplicações de inseticidas. Esse fato, indica que a liberação de parasitoides auxiliou na manutenção da população em níveis inferiores quando comparada com a população presente na área de manejo convencional com inseticidas.

O manejo integrado de pragas é uma tecnologia de processo e, portanto, sem custos aos produtores, pois está embasada na integração e otimização das táticas de controle de pragas, e fundamentada na amostragem e monitoramento das lavouras, com diferentes ferramentas que darão subsídios para a tomada de decisão.

 
 
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