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Você está em: Da Pesquisa à Inovação

 
 
 
Dr. Fernando Javier Sanhueza Salas
Pesquisador Científico, Instituto Biológico, SP
 
 
2016-07-22
O que falta para a implantação do MIP em batata?
 
 

Num impressionante período de quatro séculos a batata surgiu da sua origem nativa para se tornar a quarta cultura mais produzida no mundo. A batata inglesa (Solanum tuberosum L.) teve seu centro de origem nas regiões andinas da América do Sul, no Peru, Bolívia e Chile, por volta de 1570, a batata foi introduzida na Europa por meio de colonizadores espanhóis e, cerca de 50 anos depois, foi levada para a América do Norte, tornando-se um alimento popular, graças a processos de melhoramento visando seu consumoin natura, mercado fresco  e batata semente ou sua produção para indústria, seja na forma de pré-fritas congeladas, chips e palha.Quando nos defrontamos com a bataticultura brasileira, muitos são os problemas existentes que a assolam, entre estes, fungos (requeima, pinta preta, fusariose), bactérias (canela preta, murchadeira), vírus (PVY, PVYNTN, PLRV, Begomovírus – ToSRV e Crinivírus – ToCV) e insetos (vaquinha, mosca minadora, afídeos e mosca branca, estes dois últimos responsáveis pela disseminação de fitovírus), vem merecendo uma atenção especial graças à freqüência com que são descritos pelos produtores nas diversas regiões brasileiras. Não obstante, ainda temos de nos preocupar com problemas fitossanitários quarentenários (fitovírus emergentes em países vizinhos – TYLCV, Helicoverpa armigera, mosca branca biótipo Q).

Apesar das dificuldades com o investimento, alguns centros de pesquisa têm desenvolvido trabalhos relevantes com novos modelos de apoio ou cooperação técnico científica, estes, baseados simplesmente no direcionamento do problema, ou seja, a visão de campo e a conversa com os produtores auxiliando na identificação do problema e a pesquisa direcionada para chegar a uma solução. Dentro destes centros o Instituto Biológico de São Paulo tem encontrado grande aporte e ajuda junto a Cooperativas e Associações de Produtores para juntos chegarem a alguns resultados.

Atualmente, a cultura de batata é classificada como uma HF e considerada uma minor crop por grande maioria das indústrias de defensivos, porém, com o cenário atual, há de se repensar esta classificação, pois a área total plantada de batata, no Brasil em 2015 foi de 129.569 hectares, com rendimento de 87 t/ha, numa produção final esperada de 3.637.593 toneladas. No entanto, ocorrem problemas com inúmeras pragas e doenças resultando em redução da produtividade. Os Estados responsáveis pelas maiores produções são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, concentrando mais de 95% da produção do país.

Durante os últimos 40 anos algumas tendências na produção massiva, deste tubérculo, foram desenvolvidas. Em alguns países industrializados conseguiu-se uma alta produtividade com redução considerável das áreas plantadas. Hoje em dia estes países produzem aproximadamente 30% do montante total no mundo, muito, quando comparado aos 7% que plantavam a 40 anos atrás. No entanto, é importante ressaltar que enquanto o rendimento da batata aumenta drasticamente no mundo, parte disto se deve ao aumento do uso generalizado e abundante de agroquímicos, particularmente contra pragas e insetos. Hoje em dia a produção da batata, recebe uma das maiores quantidades totais de produtos químicos, quando comparada com outras grandes culturas e hortaliças.

Alguns estudos indicam que se a produção de batata continuar a ser ampliada nos países em desenvolvimento para suprir a demanda, isto pode não ser mais prático e nem economicamente viável, pois, sem outra forma de controle ou manejo eficaz, a única saída é incrementar o uso de agroquímicos, portanto é crucial a busca de alternativas, sendoa implantação do Manejo Integrado de Pragas (MIP) uma das mais promissoras para a cultura.

De acordo com metodologia do CIP (Centro Internacional de la Papa/Peru) ao se fazer uma avaliação geral do setor produtivo para determinar em que etapa se encontra o processo de implantação do MIP-Batata no Brasil, podemos concluir que a fase experimental (fase inicial) já se encontra bem avançada, pois esta envolve dados disponíveis obtidos em experimentos de campo ou dentro de estações experimentais e trabalhos realizados em instituições de pesquisa e universidades. Ao se realizar uma busca booleana sobre trabalhos e pesquisas realizadas sobre pragas que atacam batata - apenas no Brasil - é possível achar acima de 400.000 trabalhos. Acredita-se que o Brasil se encontra de forma preliminar iniciando a segunda fase, onde as atividades com os agricultores, mesmo que esporadicamente, possibilitam medir a eficácia e a aceitação inicial do MIP em campo. Etapa que será árdua e pontual para posteriormente chegar à fase final, ou seja, fase onde as atividades com os agricultores estão consolidadas, avaliando a eficiência e firmando a utilização do MIP em campo, ou seja, colhendo resultados.

Alguns motivos que resultam na baixa aplicação do Manejo Integrado de Pragas em batata são: i) em diferença aos demais países produtores, no Brasil, a batata se produz o ano todo, deslocando-se apenas a área de produção entre diferentes regiões, o que permite perpetuação e incremento de patógenos e o seutrânsito entre Estados brasileiros; ii) a falta de disseminação de informações do meio académico ao produtor (extensão); iii)o número reduzido de pesquisas relacionadas ao tema (MIP) e, iv) a falta de apoio na implantação do MIP por parte dos produtores, este, um dos mais importantes problemas enfrentados pois trata-se da quebra de paradigmas quanto a utilização de novas metodologias e técnicas de manejo, pois trata-se de uma cultura tradicional ondeos tratos culturais passam de geração a geração, sendo de suma importancia realizar este salto tecnológico para o incremento da metodologia de produção e o controle de pragas e doenças.

O método de controle de pragas e doenças disponível aos bataticultores é o uso de produtos, cujos inconvenientes são largamente conhecidos, com destaque para poluição do meio ambiente e o desenvolvimento de populações de insetos resistentes a inseticidas. Para tal, segundo o CIP, os técnicos devem avaliar o impacto ambiental, observando as mudanças na redução de contaminação do meio ambiente e dos riscos de contaminação para a saúde humana, muito bem conhecidos pelos bataticultores.

A base de qualquer programa de Manejo Integrado de Pragas é o monitoramento constante de áreas, sejam estas realizadas por armadilhas (Figura 1) ou visualmente por pessoal treinado com os problemas da cultura, ou seja, onde entra o passo seguinte, o impacto do capital humano que é medido graças às mudanças de conhecimento e habilidades dos agricultores e técnicos para uma tomada de decisão no controle de pragas, resultado das atividades iniciais do projeto de MIP, ou seja, treinamento e conhecimento do problema abordado (p. ex.: ciclo de vida de Bemisia tabaci, comportamento da larva alfinete, que pragas se favorecem de climas secos ou úmidos etc).

Figura. Monitoramento: “peça-chave” para a implantação de um manejo perfeito. Na figura exemplos de armadilhas empregadas na quantificação e classificação de insetos praga. A) Área experimental monitorada, SP; B) detalhe de armadilha adesiva amarela na bordadura de plantio de batata; C) detalhe de insetos coletados em armadilha tipo bandeja d’água amarela; D) armadilhas preparadas para transporte e identificação (Fotos: Salas, F.J.S.).

Uma das primícias do MIP é ser apresentado como uma alternativa ao uso indiscriminado de inseticidas, porém pleiteando o uso destes agroquímicos de uma maneira mais racional, associada a outros métodos de controle: biológico, mecânico, etológico, físico, genético, legal e o principal, o conhecimento da biologia, epidemiologia e comportamento da praga pelo produtor (Salas et al., 2013), para poder realizar a tomada de decisões acertadamente. E claro, sempre lembrando que nenhum bataticultor gosta de realizar grande número de aplicações pois isto se reverte em elevação de custo de produção.

Finalmente a implantação segue as mudanças na organização como um todo, ou seja, o emprego de redes sociais, acesso a informação e ação coletiva como o resultado do projeto de MIP: impacto do capital social, sendo o resultado final: o programa de MIP, que deve ser sempre alimentado de informações quando surgem novos problemas e com tomadas de decisões, como um todo. No Brasil, apesar de ser uma cultura amplamente produzida e ter um elevado valor agregado, poucos são os trabalhos que envolvem o Manejo Integrado de Pragas, em batata (Moraes & Silva, 2008; Hayashi, 2003).

Algumas novas tendências podem ser facilmente implantadas, entre elas, treinamento de equipes para monitorar pragas e doenças, métodos alternativos de manejo como a utilização de Trichogramma sp. para controle de lagartas (Pratissoli& Parra, 2001), ácaros predadores (Amblydromalus limonicus, Stratiolaelaps scimitus) usados para o controle de tripes e mosca branca, outro exemplo é a bactéria Bacillus thuringiensis para o controle de lagartas e fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana)para o controle de diversas espécies de pragas.

A implantação também é muito importante, saber o histórico da área a ser plantada, análise de solo (nematóides e fungos) e verificar as culturas próximas, além de inúmeras táticas no plantio, tais como: emprego de variedades resistentes (Salas et al., 2010) emprego de barreiras físicas (Salas et al., 2008), uso de cultura armadilha, assincronia fenológica (fuga do período de maior incidência de determinadas pragas), tudo isto envolve um programa de MIP. Nunca esquecendo que um dos principais problemas enfrentados é a obtenção de sementes livres de doenças e, isto deve ser realizado entrando em contato direto com o pesquisador nos laboratórios credenciados e precaver-se realizando análises fitossanitárias, iniciando o plantio com batata-semente de boa procedência e qualidade (Salas et al., 2013).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Hayashi, P.  Manejo integrado de pragas na cultura de batata. Batata Show, n.13, ano 5, p. 27-29, 2005.

Moraes, J. C. & Silva, V.F.  MIP-Batata, p.1, 2008 (www.den.ufla.br).

Ortiz, O. &Pradel, W.  Guíaintroductória para laevaluación de impactos en programas de manejo integrado de plagas (MIP). Centro Internacional de la Papa, Proyecto MIP de la Mosca Blanca Tropical, CIAT, DFIF, 52 pp.

Pratissoli, D. & Parra, J.R.P.  Seleção de Linhagens de Trichogrammapretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae) para o Controle das TraçasTutaabsoluta (Meyrick) e Phthorimaeaoperculella (Zeller) (Lepidoptera: Gelechiidae).Neotrop. Entomol.,  vol.30 (2), p. 277-282, 2001.

Salas, F.J.S.; Lopes, J.R.S. ;Fereres, A.  Resistência de Cultivares de Batata a Myzus persicae (Sulz.) (Hemiptera: Aphididae). Neotropical Entomology (Impresso), v. 39, p. 1008-1015, 2010.

Salas, F.J.S.;Moraes, C.A.P. ;Garcia, S. ; Sabundjian, T.T.  Evaluación del cultivo protegido por agrotextil en la cultura de lechuga y su desempeño en diferentes tipos de aplicaciones. Arquivos do Instituto Biológico (Impresso), v. 75, p. 443-448, 2008

Salas, F.J.S.; Paciencia, M.; Hayashi, P.; Guedes, R.  Viroses associadas a mosca branca – transmissora de vírus. Cultivar HF, ano XI, n. 81, p. 28 -31, 2013. ISSN 1518-3165.

Salas, F.J.S.; Terçariol, I.; Harakawa, R.; Zanotta, S.  Transmissão vertical. Cultivar HF, ano XII, nº 87, p. 21-22, 2013 - ISSN 1518-3165.

 
 
 
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O que falta para a implantação do MIP em batata?
2016-07-22

Num impressionante período de quatro séculos a batata surgiu da sua origem nativa para se tornar a quarta cultura mais produzida no mundo. A batata inglesa (Solanum tuberosum L.) teve seu centro de origem nas regiões andinas da América do Sul, no Peru, Bolívia e Chile, por volta de 1570, a batata foi introduzida na Europa por meio de colonizadores espanhóis e, cerca de 50 anos depois, foi levada para a América do Norte, tornando-se um alimento popular, graças a processos de melhoramento visando seu consumoin natura, mercado fresco  e batata semente ou sua produção para indústria, seja na forma de pré-fritas congeladas, chips e palha.Quando nos defrontamos com a bataticultura brasileira, muitos são os problemas existentes que a assolam, entre estes, fungos (requeima, pinta preta, fusariose), bactérias (canela preta, murchadeira), vírus (PVY, PVYNTN, PLRV, Begomovírus – ToSRV e Crinivírus – ToCV) e insetos (vaquinha, mosca minadora, afídeos e mosca branca, estes dois últimos responsáveis pela disseminação de fitovírus), vem merecendo uma atenção especial graças à freqüência com que são descritos pelos produtores nas diversas regiões brasileiras. Não obstante, ainda temos de nos preocupar com problemas fitossanitários quarentenários (fitovírus emergentes em países vizinhos – TYLCV, Helicoverpa armigera, mosca branca biótipo Q).

Apesar das dificuldades com o investimento, alguns centros de pesquisa têm desenvolvido trabalhos relevantes com novos modelos de apoio ou cooperação técnico científica, estes, baseados simplesmente no direcionamento do problema, ou seja, a visão de campo e a conversa com os produtores auxiliando na identificação do problema e a pesquisa direcionada para chegar a uma solução. Dentro destes centros o Instituto Biológico de São Paulo tem encontrado grande aporte e ajuda junto a Cooperativas e Associações de Produtores para juntos chegarem a alguns resultados.

Atualmente, a cultura de batata é classificada como uma HF e considerada uma minor crop por grande maioria das indústrias de defensivos, porém, com o cenário atual, há de se repensar esta classificação, pois a área total plantada de batata, no Brasil em 2015 foi de 129.569 hectares, com rendimento de 87 t/ha, numa produção final esperada de 3.637.593 toneladas. No entanto, ocorrem problemas com inúmeras pragas e doenças resultando em redução da produtividade. Os Estados responsáveis pelas maiores produções são Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, concentrando mais de 95% da produção do país.

Durante os últimos 40 anos algumas tendências na produção massiva, deste tubérculo, foram desenvolvidas. Em alguns países industrializados conseguiu-se uma alta produtividade com redução considerável das áreas plantadas. Hoje em dia estes países produzem aproximadamente 30% do montante total no mundo, muito, quando comparado aos 7% que plantavam a 40 anos atrás. No entanto, é importante ressaltar que enquanto o rendimento da batata aumenta drasticamente no mundo, parte disto se deve ao aumento do uso generalizado e abundante de agroquímicos, particularmente contra pragas e insetos. Hoje em dia a produção da batata, recebe uma das maiores quantidades totais de produtos químicos, quando comparada com outras grandes culturas e hortaliças.

Alguns estudos indicam que se a produção de batata continuar a ser ampliada nos países em desenvolvimento para suprir a demanda, isto pode não ser mais prático e nem economicamente viável, pois, sem outra forma de controle ou manejo eficaz, a única saída é incrementar o uso de agroquímicos, portanto é crucial a busca de alternativas, sendoa implantação do Manejo Integrado de Pragas (MIP) uma das mais promissoras para a cultura.

De acordo com metodologia do CIP (Centro Internacional de la Papa/Peru) ao se fazer uma avaliação geral do setor produtivo para determinar em que etapa se encontra o processo de implantação do MIP-Batata no Brasil, podemos concluir que a fase experimental (fase inicial) já se encontra bem avançada, pois esta envolve dados disponíveis obtidos em experimentos de campo ou dentro de estações experimentais e trabalhos realizados em instituições de pesquisa e universidades. Ao se realizar uma busca booleana sobre trabalhos e pesquisas realizadas sobre pragas que atacam batata - apenas no Brasil - é possível achar acima de 400.000 trabalhos. Acredita-se que o Brasil se encontra de forma preliminar iniciando a segunda fase, onde as atividades com os agricultores, mesmo que esporadicamente, possibilitam medir a eficácia e a aceitação inicial do MIP em campo. Etapa que será árdua e pontual para posteriormente chegar à fase final, ou seja, fase onde as atividades com os agricultores estão consolidadas, avaliando a eficiência e firmando a utilização do MIP em campo, ou seja, colhendo resultados.

Alguns motivos que resultam na baixa aplicação do Manejo Integrado de Pragas em batata são: i) em diferença aos demais países produtores, no Brasil, a batata se produz o ano todo, deslocando-se apenas a área de produção entre diferentes regiões, o que permite perpetuação e incremento de patógenos e o seutrânsito entre Estados brasileiros; ii) a falta de disseminação de informações do meio académico ao produtor (extensão); iii)o número reduzido de pesquisas relacionadas ao tema (MIP) e, iv) a falta de apoio na implantação do MIP por parte dos produtores, este, um dos mais importantes problemas enfrentados pois trata-se da quebra de paradigmas quanto a utilização de novas metodologias e técnicas de manejo, pois trata-se de uma cultura tradicional ondeos tratos culturais passam de geração a geração, sendo de suma importancia realizar este salto tecnológico para o incremento da metodologia de produção e o controle de pragas e doenças.

O método de controle de pragas e doenças disponível aos bataticultores é o uso de produtos, cujos inconvenientes são largamente conhecidos, com destaque para poluição do meio ambiente e o desenvolvimento de populações de insetos resistentes a inseticidas. Para tal, segundo o CIP, os técnicos devem avaliar o impacto ambiental, observando as mudanças na redução de contaminação do meio ambiente e dos riscos de contaminação para a saúde humana, muito bem conhecidos pelos bataticultores.

A base de qualquer programa de Manejo Integrado de Pragas é o monitoramento constante de áreas, sejam estas realizadas por armadilhas (Figura 1) ou visualmente por pessoal treinado com os problemas da cultura, ou seja, onde entra o passo seguinte, o impacto do capital humano que é medido graças às mudanças de conhecimento e habilidades dos agricultores e técnicos para uma tomada de decisão no controle de pragas, resultado das atividades iniciais do projeto de MIP, ou seja, treinamento e conhecimento do problema abordado (p. ex.: ciclo de vida de Bemisia tabaci, comportamento da larva alfinete, que pragas se favorecem de climas secos ou úmidos etc).

Figura. Monitoramento: “peça-chave” para a implantação de um manejo perfeito. Na figura exemplos de armadilhas empregadas na quantificação e classificação de insetos praga. A) Área experimental monitorada, SP; B) detalhe de armadilha adesiva amarela na bordadura de plantio de batata; C) detalhe de insetos coletados em armadilha tipo bandeja d’água amarela; D) armadilhas preparadas para transporte e identificação (Fotos: Salas, F.J.S.).

Uma das primícias do MIP é ser apresentado como uma alternativa ao uso indiscriminado de inseticidas, porém pleiteando o uso destes agroquímicos de uma maneira mais racional, associada a outros métodos de controle: biológico, mecânico, etológico, físico, genético, legal e o principal, o conhecimento da biologia, epidemiologia e comportamento da praga pelo produtor (Salas et al., 2013), para poder realizar a tomada de decisões acertadamente. E claro, sempre lembrando que nenhum bataticultor gosta de realizar grande número de aplicações pois isto se reverte em elevação de custo de produção.

Finalmente a implantação segue as mudanças na organização como um todo, ou seja, o emprego de redes sociais, acesso a informação e ação coletiva como o resultado do projeto de MIP: impacto do capital social, sendo o resultado final: o programa de MIP, que deve ser sempre alimentado de informações quando surgem novos problemas e com tomadas de decisões, como um todo. No Brasil, apesar de ser uma cultura amplamente produzida e ter um elevado valor agregado, poucos são os trabalhos que envolvem o Manejo Integrado de Pragas, em batata (Moraes & Silva, 2008; Hayashi, 2003).

Algumas novas tendências podem ser facilmente implantadas, entre elas, treinamento de equipes para monitorar pragas e doenças, métodos alternativos de manejo como a utilização de Trichogramma sp. para controle de lagartas (Pratissoli& Parra, 2001), ácaros predadores (Amblydromalus limonicus, Stratiolaelaps scimitus) usados para o controle de tripes e mosca branca, outro exemplo é a bactéria Bacillus thuringiensis para o controle de lagartas e fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana)para o controle de diversas espécies de pragas.

A implantação também é muito importante, saber o histórico da área a ser plantada, análise de solo (nematóides e fungos) e verificar as culturas próximas, além de inúmeras táticas no plantio, tais como: emprego de variedades resistentes (Salas et al., 2010) emprego de barreiras físicas (Salas et al., 2008), uso de cultura armadilha, assincronia fenológica (fuga do período de maior incidência de determinadas pragas), tudo isto envolve um programa de MIP. Nunca esquecendo que um dos principais problemas enfrentados é a obtenção de sementes livres de doenças e, isto deve ser realizado entrando em contato direto com o pesquisador nos laboratórios credenciados e precaver-se realizando análises fitossanitárias, iniciando o plantio com batata-semente de boa procedência e qualidade (Salas et al., 2013).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Hayashi, P.  Manejo integrado de pragas na cultura de batata. Batata Show, n.13, ano 5, p. 27-29, 2005.

Moraes, J. C. & Silva, V.F.  MIP-Batata, p.1, 2008 (www.den.ufla.br).

Ortiz, O. &Pradel, W.  Guíaintroductória para laevaluación de impactos en programas de manejo integrado de plagas (MIP). Centro Internacional de la Papa, Proyecto MIP de la Mosca Blanca Tropical, CIAT, DFIF, 52 pp.

Pratissoli, D. & Parra, J.R.P.  Seleção de Linhagens de Trichogrammapretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae) para o Controle das TraçasTutaabsoluta (Meyrick) e Phthorimaeaoperculella (Zeller) (Lepidoptera: Gelechiidae).Neotrop. Entomol.,  vol.30 (2), p. 277-282, 2001.

Salas, F.J.S.; Lopes, J.R.S. ;Fereres, A.  Resistência de Cultivares de Batata a Myzus persicae (Sulz.) (Hemiptera: Aphididae). Neotropical Entomology (Impresso), v. 39, p. 1008-1015, 2010.

Salas, F.J.S.;Moraes, C.A.P. ;Garcia, S. ; Sabundjian, T.T.  Evaluación del cultivo protegido por agrotextil en la cultura de lechuga y su desempeño en diferentes tipos de aplicaciones. Arquivos do Instituto Biológico (Impresso), v. 75, p. 443-448, 2008

Salas, F.J.S.; Paciencia, M.; Hayashi, P.; Guedes, R.  Viroses associadas a mosca branca – transmissora de vírus. Cultivar HF, ano XI, n. 81, p. 28 -31, 2013. ISSN 1518-3165.

Salas, F.J.S.; Terçariol, I.; Harakawa, R.; Zanotta, S.  Transmissão vertical. Cultivar HF, ano XII, nº 87, p. 21-22, 2013 - ISSN 1518-3165.

 
 
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