A broca da cana-de-açúcar, Diatraea saccharalis (Fabr.)

Dentre as diferentes pragas que atacam a cultura, a broca-da-cana de açúcar, Diatraea saccharalis, é considerada a mais importante, devido a sua ampla distribuição geográfica e dos seus elevados prejuízos econômicos, com perdas diretas (redução da produtividade agrícola) e indiretas (perdas na qualidade da matéria-prima), e custos de tratamento, estimados em cerca de 1 bilhão de dólares anuais. Estes números nos mostram a relevância deste histórico e da adoção do MIP na cultura da cana-de-açúcar.

Após o acasalamento, as fêmeas fazem a postura nas folhas da cana-de-açúcar, normalmente localizada nos ponteiros. Os ovos são colocados sobrepostos no formato de “escamas de peixe” e após um período médio de incubação de 6 dias, as lagartas eclodem. A duração do período larval é de cerca de 40 a 60 dias. A fase de pupa apresenta uma duração de 9 a 14 dias. O ciclo total da praga é de cerca de 60 a 90 dias, variando conforme a temperatura, podendo originar de 4 a 5 gerações por ano. Os adultos apresentam uma longevidade média de 5 a 7 dias. O maior desenvolvimento da praga é observado em períodos de alta temperatura e precipitação pluviométrica, e maiores danos são observados no início do desenvolvimento das plantas e em canaviais com menores números de cortes.

Os sintomas mais típicos dos danos diretos da praga são os orifícios ocasionados pela alimentação das lagartas da broca nos internódios dos colmos da cana, e as galerias formadas no interior destes, originando daí o nome comum da praga “broca da cana-de-açúcar”. Pelas aberturas provocadas pela alimentação das lagartas podem penetrar fungos que ocasionam a podridão vermelha e a consequente redução da qualidade da matéria prima. Em canaviais em início do desenvolvimento, ainda sem a formação de internódios, os danos podem ser observados nos perfilhos, ocasionando lesões na base destes e em alguns casos a seca da folha central, sintoma este conhecido como “coração morto”. Canaviais com desenvolvimento mais adiantado e com alta intensidade de infestação pela praga, podem apresentar também brotação lateral das gemas e maior suscetibilidade a quebra dos ponteiros.

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Ciclo de vida de Diatraea saccharalis.

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Ciclo de vida de Diatraea saccharalis.

Diatraea saccharalis em outras culturas de importância econômica no Brasil

A broca-da-cana D. saccharalis é amplamente conhecida no Brasil como importante praga da cana-de-açúcar, entretanto, a espécie também ocasiona importantes prejuízos em outras culturas agrícolas, como o arroz; sorgo; e o milho.

Nos últimos anos, têm se observado um aumento na incidência de D. saccharalis na cultura do milho. Devido ao hábito da praga, o uso de inseticidas químicos apresenta dificuldade para o seu controle, e com a ampla área cultivada com a cultura do milho no Brasil, sua maior ocorrência tem apresentado preocupação aos agricultores e pesquisadores.

No milho, as mariposas da broca fazem a postura nas folhas, sendo que os danos da praga podem ocorrer em diferentes estágios da planta. Lagartas mais jovens podem atacar no início do desenvolvimento, com as folhas ainda enroladas. Lagartas mais desenvolvidas podem atacar o cartucho das plantas de milho em início de desenvolvimento e ocasionar a morte destas. O sintoma do ataque em plantas em estágio mais avançado de desenvolvimento são as galerias nos colmos. Danos em espigas também podem ser observados.

Em arroz irrigado, os prejuízos de D. saccharalis também podem ser importantes, sendo as posturas realizadas nas folhas, e os danos provenientes da alimentação das lagartas observados nas bainhas destas. Posteriormente, as lagartas penetram e ocasionam danos nos colmos das plantas.

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Lagarta de Diatraea saccharalis.

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Lagarta de Diatraea saccharalis.

MIP em cana-de-açúcar e o manejo da broca, Diatraea saccharalis

No cenário agrícola, a cultura da cana-de-açúcar destaca-se mundialmente como exemplo do potencial e da efetividade da adoção dos princípios do MIP – Manejo Integrado de Pragas em grandes áreas agrícolas. Da teoria e do desenvolvimento das pesquisas até chegar ao campo, décadas e décadas de esforços nesta área, apoiadas e encorajadas enormemente pelos produtores, permitiram atualmente a implementação do MIP no controle de importantes insetos pragas da cultura da cana-de-açúcar, percorrendo diferentes caminhos, desde a adequada identificação das espécies alvo; dos diferentes métodos de monitoramento e tecnologias de aplicação; do estabelecimento de níveis de dano econômico e da disponibilidade de diferentes estratégias de controle, como os métodos químico, mecânico; cultural; da biotecnologia; e do controle biológico. Neste último, a cultura da cana-de-açúcar também se mostrou inovadora e influente, com a utilização em grande escala dos parasitidóides Cotesia flavipes e Trichogramma galloi no controle da broca da cana-de-açúcar Diatraea saccharalis e do fungo entomopatôgênico Metarhyzium anisopliae no combate à cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata. A teoria e a prática do MIP tornaram-se parte do cotidiano dos profissionais que trabalham com cana-de-açúcar atualmente no Brasil.

AMPLO CONTROLE DA
BROCA DA CANA-DE-AÇÚCAR

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BROCA DA CANA-DE-AÇÚCAR

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O manejo da broca da cana-de-açúcar é realizado na maioria das regiões produtoras com o uso do controle biológico, pela liberação dos parasitóides de larvas Cotesia flavipes e pelo parasitóide de ovos Trichogramma galloi. A associação destes inimigos naturais mostra-se como uma eficiente estratégia dentro do MIP da praga.

Devido ao comportamento alimentar da praga, e dos danos ocasionados, o desenvolvimento das pesquisas com controle biológico, em especial com os parasitóides C. flavipes e T. galloi, possibilitaram a redução considerável dos prejuízos e a manutenção do potencial da produtividade agrícola da cultura. Entretanto, a expansão acelerada da cana-de-açúcar para novas fronteiras agrícolas nas últimas décadas, e a dificuldade na manutenção do adequado manejo da praga, propiciou o aumento considerável dos prejuízos ocasionados pela broca nos últimos anos.

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Cotesia flavipes parasitando larva de Diatraea saccharalis.

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Trichogramma galloi parasitando ovos.

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Cotesia flavipes parasitando larva de Diatraea saccharalis.

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Trichogramma galloi parasitando ovos.

E como a história da cana-de-açúcar têm nos mostrado nos últimos séculos, as pesquisas e inovações avançam, e novas teorias e tecnologias são incorporadas ao Manejo Integrado de Pragas na cultura, como atualmente o uso comercial da Biotecnologia, nos possibilitando ampliar as estratégias e ferramentas para o monitoramento e controle da broca da cana-de-açúcar e de outras importantes pragas desta e de outras culturas agrícolas.

Broca da cana-de-açúcar

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  • gabriel aparecido disse:

    boa tarde
    por gentileza, gostaria de saber em questão econômica para minha empresa, qual a diferença da aplicação com agrotóxicos e da aplicação do controle biológico.
    trabalho com o cultivo de cana de açucar.
    Com qual aplicação eu vou economizar mais e ter o melhor resultado.
    abraços

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